Cod. MES009 - RESUMO


 Título: MOTIVAÇÕES DISCURSIVAS NA ORDENAÇÃO DE CONSTITUINTES EM PORTUGUÊS

 Autores/Instituições:  

EROTILDE GORETI PEZATTI (UNESP- SÃO JOSÉ DO RIO PRETO)

 Resumo:

Na interação cada participante tem um objetivo em mente, e é esse objetivo que determina a estratégia adotada pelo Falante para obter o seu propósito comunicativo. O alcance desse propósito comunicativo envolve uma série de ações que se expressam por meios linguísticos. Assim considerando, esta apresentação tem como proposta descrever a ordenação de constituintes relacionados ao discurso, aqui entendido como a interação entre Falante e Destinatário, num contexto específico de comunicação. Para isso, lança mão do modelo teórico da Gramática Discursivo-Funcional (Hengeveld e Mackenzie, 2008), que se caracteriza por considerar muito seriamente o fato de que os enunciados são produzidos e entendidos no contexto, já que a intenção do falante não surge em um vacuum, mas sim em um multifacetado contexto comunicativo. Para explicar a linearização de constituintes em português, sob esse aparato teórico, é necessário considerar três posições básicas, denominadas PI, para a posição inicial, PM, posição medial e PF para a posição final, e várias posições relativas derivadas dessas três. As duas posições periféricas (PI e PF) são psicologicamente salientes, enquanto a posição medial é menos saliente e depende do número de constituintes que uma oração pode conter. As posições relativas (PI+n, PM+/-n e PF-n) só podem ser preenchidas quando a posição absoluta já estiver preenchida, como em:

PI             PI+1             PI+n        PM-n        PM-1         PM           PM+1        PM+n        PF-n          PF-1          PF

Considerando que a posição PM e suas relativas são reservadas para os constituintes não hierárquicos – o predicado e seus argumentos –, este estudo propõe que os constituintes de natureza discursiva assumem os domínios de PI e PF, uma vez que escopam o Ato Discursivo ou um de seus constituintes – a Ilocução e o Conteúdo Comunicado. Há, entretanto, posições marginais (fora da oração) para constituintes extraoracionais, que fazem parte da Expressão Linguística mas não da Oração propriamente dita. Assim, para distinguir PI e PF da camada da Expressão Linguística e da Oração, utilizam-se Ppre; para a posição pré-oracional, Pcentro, para a posição da Oração, e Ppos, para a posição pós-oracional, conforme segue, em que a barra (|) indica o limite da oração.

Expressão Linguística Ppre |      Pcentro   | Ppos
  Oração   | PI PM PF  |  

Como universo de pesquisa, tomam-se ocorrências reais de uso, extraídas do corpus oral organizado pelo Centro de Linguística da Universidade de Lisboa, em parceria com a Universidade de Toulouse-le-Mirail e a Universidade de Provença-Aix-Marselha, que recebe o nome de “Português oral” e desenvolveu-se no âmbito do Projeto “Português Falado: Variedades Geográficas e Sociais”, do qual resultou um corpus de amostragens de variedades do português falado. Os resultados revelam que modificadores de Ato, de Ilocução e de Conteúdo Comunicado e operadores de Conteúdo Comunicado são alocados em PI (e suas posições relativas), PF (e suas posições relativas) é usada apenas para modificador de Ato Discursivo, enquanto as posições Ppre e Ppos são reservadas para constituintes com funções retóricas.

Palavras-chave: funcionalismo, ordem de palavras, constituintes extra0racionais.