Cod. CONF002 - RESUMO


Título: PORTUGUÊS, LÍNGUA PLURICÊNTRICA: QUE PORTUGUÊS ENSINAR A ESTRANGEIROS?

 Autor/Instituição:
ISABEL MARGARIDA DUARTE (FACULDADE DE LETRAS DA UNIVERSIDADE DO PORTO)

Resumo: As línguas são organismos vivos, sujeitos a permanentes mudanças. Mudam com o tempo, com a pressão, até política, que sobre elas exercem outras línguas, com os contactos que os povos que as falam vão estabelecendo, com os lugares e os tempos em que são faladas. A mudança está ligada à variação. O português que hoje se usa, com diferentes estatutos, em todos os continentes, devido à aventura marítima e ao passado colonial de Portugal, mas também à diáspora e à emigração, é atualmente  falado de várias formas, com diferentes variedades, consoante as línguas que existiam nos diversos territórios onde se implantou com mais ou menos força, consoante as línguas maternas com que coexiste de modo mais pacífico ou mais conflituoso, consoante as línguas que com ele estão em contacto, consoante o estatuto específico que tem em cada território. Deixando de lado a questão – no entanto de crucial importância -, das políticas de internacionalização que obviamente se prendem também com esta diversidade linguística, é essencial refletir nos desafios que ela coloca, ao ensino do português, enquanto língua segunda e língua estrangeira, língua de herança, língua de especialidade, etc.. A internacionalização da língua portuguesa global passa, entre muitas outras vertentes, por uma descrição e um conhecimento mais aprofundado e sistemático das diversas variedades da língua portuguesa. Quando falamos dessas variedades, estamos a pensar em todas, e não apenas em duas. Com efeito, a designação de lusofonia não tem sido considerada como suficientemente abrangente para incluir todas essas variedades, por o lexema parecer privilegiar uma delas: o Português Europeu. Por outro lado, se nos ativermos à variedade que mais falantes tem, o Português do Brasil, não estaremos, de igual modo, a dar conta dessa pluralidade e riqueza de variedades. Há outras formas de falar português – e não só aquelas dos  países, por exemplo de África, com crescente importância estratégico e económica -, que não podem ser deixadas de fora da discussão. Esta questão prende-se com uma outra que dela decorre: e que português se ensina, a estrangeiros que queiram aprender a língua? Interessa-nos reter, no contexto do presente encontro, duas questões: 1) Que orientações deve seguir a formação de professores para a criação de instrumentos adequados para o ensino da língua nas suas diferentes vertentes (L1, L2, língua de herança, língua para fins específicos) e para uma capacitação adequada dos docentes e formadores?; e, sobretudo, 2) Como implementar uma política multilateral de ensino da língua portuguesa L2 e língua estrangeira? A partir da problematização deste conjunto de tópicos, iremos centrar-nos nos desafios que se colocam aos professores de português como LE, quando confrontados com a extensão e a complexidade destas questões: que variedade ensinar? Como lidar com estudantes que tenham tido, anteriormente,  professores que ensinaram uma outra variedade? Como dar conta, desde o início da aprendizagem, da variação linguística interna à língua portuguesa? E o que fazer perante uma tão vasta gama de questões a serem trabalhadas?

 Palavras-chave: Português, ensino, estrangeiro.